Visitei três exposições da Caixa Cultural do Rio. Vem ver como foi!

Vou começar pela Histórias Naturais do paulistano Marcelo Tinoco, que mais me tocou.  Faço uso do texto de Mario Gioia – no prospecto distribuído -, ao dizer que ele “cria mosaicos contemporâneos justamente perturbadores”  ao fazer montagens de excelência filmográfica com cenas captadas num mesmo ambiente durante algumas horas do dia.

As imagens enormes misturam cenas cotidianas de forma surrealista sem abusar do atípico, quase parecem verdade e, o mais estranho é que realmente são, encaixadas com uma sutileza e um capricho de dar inveja aos usuários mais assiduos do photoshop. Ao primeiro olhar, tudo parece em seu lugar, certinho, exato, até que você percebe elementos estranhos, desconexos e até perigosos, até dá pra brincar daquele joguinho: o que não pertence a essa imagem?

Até perceber que tudo pertence, se encaixa e têm sua beleza ressaltada nas obras. nem vou dispor imagens, pois a graça está no olhar próprio, fica até 19 de outubro, não deixem de ir.

 

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A próxima reúne artistas contemporâneos do que já foi considerado crime e hoje, como diz o stencil espalhado pelas ruas do rio, é poesia retrata um panorama de arte urbana no país, bem atual com trabalhos sobre as eleições, a vida na periferia, a cultura pop e a efemeridade do ser, com menos enfoque nos artistas, boa parte deles coletivos, e mais nas obras e suas mensagens.

Sobre obra acima, eu cometi a gafe enorme de não salvar o artista, mas quem for lá pode me corrigir nisso, a mescla de antigo e contemporâneo mostra uma perturbadora crítica à tecnologização e, ao mesmo tempo, a maneira antiquada que ainda vemos e seguimos nossas convençoes sociais, amei! os tecidos são belíssimos e retratam bem essa mistura tão difícil de se acertar tanto na arte, quanto no design e na moda hoje.

Outro quadro que me chamou a atenção, bem atual e também possuidor de caráter de moda foi o #não deu bola pra ninguém (sim, o nome vem com a hashtag) que une notas de reais e uma modelagem típica de camisas de futebol, nem preciso dizer qual a crítica, né?!

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Além desses, também há uma nota de um real furada com o dizer SURREAL emoldurada, que reflete bem os valores abusivos cobrados por praticamente tudo no país, em especial durante a copa do mundo de 2014. por fim, uma instalação¹ perturbadora cuja dor e delícia só podem ser realmente compreendidas ao vivo, colocarei a título de instigação para levá-los à busca pela compreensão dessa sensação etérea que aguarda todos nós.

 

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Enfim, a exposição da magia de miró, cuja profundidade eu realmente não entendi. Perdoem a minha ignorância, mas eu realmente não sou muito fã da obra de Joan Miró e me coloco aqui alvo de críticas ao dizer que realmente não me toca de  forma alguma. Visitei toda a exposição de forma calma e com a mente aberta, para perceber que ela trata somente de obras inacabadas, pois é uma homenagem a ele feita pelo amigo Alfredo Mélgar, fotógrafo renomado e curador, que intentava mostrar o lado mais humano e auto-referencial do artista. verdade é que ele fazia algumas bases e a partir delas criava repetições com leves modificações para retratar diversas situações e elementos, veja só, concretos, como pássaros, baleias e afins.

A única parte que realmente me interessou da exibição foi a sequência VII do Miró de Calder, abaixo. de qualquer maneira, acho que a história da arte diz muito sobre o que é considerado arte ou não e de forma alguma estou me prestando a esse papel, sou apenas sincera com relação a meus gostos, mas sempre acho válido conhecer e reconhecer todos os tipos de expressão artística, assim se cria e se refina o gosto por artes, então, não passem reto da exposição baseados no que falei, critiquem, vejam por si mesmos e criem as próprias opiniões.

 

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Uau, escrevi bastante hoje, afinal, são três exposições esperando a sua visita. Coloquei uma definiçãozinha de instalação ao final e, assim, pretendo começar um pequeno dicionário de arte que vou sempre atualizando e utilizando # para pesquisas futuras.

Agradeço muito a quem leu até o fim e termino com uma expressão artística cotidiana e, talvez, pouco notada bem em frente à Caixa Cultural, nomeei-a de Davi pelo seu caráter continuamente esmagado porém vivo e respirante em meio à selva de pedra.

 

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beijo beijo!

¹#instalação: uma manifestação que dispõe elementos – não necessariamente artísticos, ou seja, cotidianos – num espaço de forma a criar uma sensação artística, uma obra, seja dentro ou fora do museu, a arte tridimensionalizada e fugindo de seu espaço corriqueiro, a parede ou o pedestal, para influir no nosso mundo, permitindo que passemos por ela, por vezes, mesmo através dela para senti-la como um todo.

 

Serviço:

  • Horário: das 10h às 21h
  • Endereço: Av. Almirante Barroso, 25 – Centro (Metrô: Estação Carioca)
  • Telefone: (21) 3980-3815
  • Entrada Franca