No primeiro dia da minha estação do ano favorita, eu não deixaria de fazer um post, por mais relapsa que tenha sido nesses últimos tempos…

Depois desses dias de sol e chuva, o tempo resolveu dar uma trégua e mostrar sua natureza mais deliciosa, solzinho gostoso e tempo ameno. Enfim, aproveitando a gostosura do dia, vou relatar um pouco do meu passeio no Jardim Botânico do Rio.

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Como chegamos no finzinho da tarde, não conseguimos fazer o passeio dentro do Jardim, então visitamos as exposições montadas na entrada, começando pela “Música Brasilis – Rio 450 anos de Música” que narra de forma interativa e demonstrativa a riqueza da música carioca nos últimos 450 anos no Galpão das Artes. Iniciamos a viagem com uma mostra de instrumentos musicais, alguns, creio eu, que nunca mais veremos novamente. em seguida, nos deparamos com um telão tríptico que exibia mostras de sons feitos desde a época da ocupação portuguesa, mesclada aos sons africanos que geraram o que hoje chamamos de música brasileira.

No centro do galpão alguns instrumentos são pendurados ao redor de um piano com aspecto fantasmagórico e uma penumbra típica de exposições com muita tecnologia. Ao lado esquerdo do salão, a obra mais divertida da exposição, uma mesa de compor. dividida em quatro cores, cada uma sendo um instrumento, com tonalidades que simbolizam desde sons mais agudos até os mais graves, são disponibilizadas pedrinhas para que, ao colocá-las na faixa escolhida, sejam emitidos sons e, assim, se crie uma música. Simples, bonita e imperdível aos amantes de música, essa obra me fez refletir muito sobre o ensino de música hoje e suas infinitas possibilidades.

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Existem mais duas obras interativas em que se pode ver a música partida em seus distintos instrumentos, retirando-os e colocando-os a seu bel prazer e, ainda, uma pequena enciclopédia virtual que vai de Pixinguinha a Mr. Catra. Com vários bancos para sentar e apreciar a exposição, ela é excelente pra todas as idades e preza pelo acolhimento do visitante – diferente do que tenho visto em muitas que nem valem o comentário… Assim, se você quer fazer uma visita gratuita ao Jardim Botânico, é um bom começo, pois para passear pelas palmeiras imperiais, há um taxa de sete reais. A exposição fica até novembro e a visitação está aberta de terça a domingo de 10h às 17h.

Para agendar visitas mediadas, contato@musicabrasilis.org.br. Não perde não, é difícil haver outro apanhado histórico tão preciso e cuidadoso tão cedo por aqui.

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Mas, calma, nosso passeio gratuito ainda não acabou. Encontramos um pequeno centro de visitantes, com boa iluminação e todas as informações das atividades desenvolvidas pelo Instituto, contando com diversas pesquisas de flora e fauna, bem interessante, pra quem curte o assunto. E ainda nos jardins, “La Danse”, uma escultura de Alice Pittaluga (1937-2009) em homenagem ao famoso quadro de Henri Matisse.

La Danse - Alice Pittaluga
La Danse – Alice Pittaluga

Além dos lindos e sonolentos gatinhos e a variedade enorme de plantas catalogadas, chegamos ao Museu do Meio Ambiente, um casarão lindo e recém-reformado que conta com programa educativo sólido com programação semanal de contos de histórias e ensino de criação de hortas, além de fóruns ambientais, comunicações de pesquisas e cinedebates. A estrutura é impecável e o atendimento, primoroso. Todas essas informações, você encontra em http://museudomeioambiente.jbrj.gov.br/o-museu onde pode baixar a programação e conferir essas informações mais aprofundadas. Infelizmente a lindíssima exposição que visitei já acabou, era “O Jardim Verde e Amarelo”, contando com fotografias vencedoras do XV Concurso do Jardim Botânico, com fotos tiradas ´lá mesmo. Belíssimo, como o “Espelho d’água” de Alexandre Hallais, 4º lugar no Tema Paisagem.

4º lugar Paisagem - XV Concurso do Jardim Botânico RJ 2014
Espelho d’água – Alexandre Hallais

Acho que o post já tá bem longo e deu pra ter uma perspectiva legal de como ver coisas lindas sem gastar além da passagem. O JB fica na Rua Jardim Botânico, 1008, depois você pode aproveitar e  tomar uma cervinha no Baixo Gávea que é bem do ladinho. Fica a dica de um dia delícia pra começar bem a primavera. Pra fechar, não me controlo, vou colocar mais uma foto, que simboliza bem a relação humana com a Natureza e fica bem na entrada – ou saída, dependendo do seu ponto de vista – do espaço.

Totem JB RJ