Que visita gostosa ao Museu do Índio! Quer saber como foi? Clica!

Além de contar com uma privilegiada área arborizada a céu aberto no coração do bairro de Botafogo, no Rio (Rua das Palmeiras, 55, pertinho da subida do Dona Marta), o Museu conta com uma casinha de recepção estilizada como oca cheia de redes, objetos manufaturados por indígenas e vídeos com alguns rituais, muita arte e desenhos pelas paredes, loja de produtos indígenas (com as devidas marcações de etnia e região de produção) e a cereja do bolo, um casarão incrível com muito espaço para abrigar exposições.

Imperdível é a exposição do térreo da casa, Ashaninka – O Poder da Beleza que retrata os acessórios, a pintura corporal e a beleza dessa etnia por meio de fotos, vídeos, desenhos, reproduções desses materiais e até carimbos com os padrões utilizados por eles (pra quem quiser entrar em contato mais direto e intenso com nossa ancestralidade). Em meio a essa riqueza, foram espalhados diversos espelhos que realmente nos levam à reflexão a respeito do contato e da identificação que temos com a cultura e a aparência indígena. Lindo! Saí toda carimbada e animada da cuidadosamente iluminada sala de exposição.

Outra localidade especial é a biblioteca, onde o queridíssimo bibliotecário (cujo nome eu esqueci, vergonha!) me narrou a validade, a qualidade e a quantidade de volumes, trabalhos e catalogações relativos à cultura, ou melhor, às culturas indígenas do nosso país. Enquanto conversávamos, inclusive, alguns linguistas dividiam uma mesa com índios na tradução de alguns exemplares cujas línguas estão se perdendo. Importante trabalho! Um fato muito interessante que ele me contou, foi que a palavra brasileiro era usada para descrever os comerciantes de pau-Brasil, assim como os engenheiros, costureiros… esse sufixo é usado para profissões, não para etnias ou nacionalidades e foi erroneamente englobado e apropriado por nós. Estranho… Assim como a maioria dos nomes de etnias que conhecemos são, majoritariamente, nomes pejorativos dados por outras tribos (aquela velha história de que o nome que pega, normalmente, é o que o inimigo te dá, sabe?) No fim da conversa, o cortês bibliotecário me presenteou com algumas publicações relacionadas à arte indígena (eu disse que trabalho com arte educação). O passeio foi extremamente frutífero e eu acabei dando uma volta no Solar das Palmeiras, uma casa de eventos na mesma rua, que me encantou com seus detalhes rebuscados e  banheiro de azulejos mais lindo que já vi na minha vida (sério).

Banheiro do Solar das Palmeiras

Enfim, não deixem de ir ao Museu, quando tiverem oportunidade. Me fez refletir muito sobre o estilo de vida agitado, insano e pouco perceptivo que levamos. Temos muito a aprender com os antepassados verdadeiramente nativos dessa terra que chamamos Brasil.
Museu do Índio

Rua das Palmeiras, 55, Botafogo, RJ

Terça à domingo, de 9h às 17h30