A quem ainda não visitou o Instituto Moreira Salles, uma pergunta: tá esperando o quê?

Da arquitetura modernista impecável típica de 1948 (quando foi desenhada por Olavo Redig de Campos) aos singelos bancos de madeira com dizeres de Clarice, o IMS não deixa nada a desejar. Confesso que esperei um bom tempo pelo ônibus que passa por lá. A boa mesmo, é ir de carro. O estacionamento é grande e gratuito. Mas, até quem tem preguiça é tomado pela atmosfera grandiosa desse casarão com paisagismo de Burle Marx. os cobogós imensos logo na entrada fazem o par ideal com o jardim geométrico rodeado por palmeiras que a vista mal alcança. A entrada no espaço já é um convite luxuoso.

Na parte principal da casa, a exposição de fotografias, a cor americana, de William Eggleston toma todas as salas de forma espaçosa e ordenada, contando também com vídeos feitos dele e por ele. Tudo bem rock n’ roll psicodélico tipicamente estadunidense envolto por western e interior. Na recepção, você pode retirar óculos com filtros vermelhos e um papel amarelo com instruções para fazer uma Viagem pela cor em sua visita. Eggleston utilizou técnicas hoje extintas para colorir suas fotos e foi totalmente revolucionário, experimental e, devo dizer, paciente na sua percepção e técnica de fotografia. Seus vermelhos e azuis, na minha opinião, são incomparáveis. Não é permitido tirar fotos do interior da casa, mas, existe um cômodo digno de transgressão, que não estava ocupado pela exposição, e era inteiramente de azulejos azuis, uma visão de outro mundo, abrigando, hoje, um altar e, na minha opinião, uma esfera de espiritualidade muito carregada e emocionante. Lindo!

Seguindo o tour, eu sugiro tirar a tarde (abre às 11h) para ver tudo com calma, passeie pelo jardim, aproveitando a sensação deliciosa de estar ali, vagueie pela piscina, olhe o verde em volta, escute os pássaros, micos, gatinhos, estão todos por ali. Então,vá até o outro pavimento, mais ao fundo, em que estão expostas duas belíssimas visões da nossa amada cidade. Um passeio pelo rio nos leva pelos olhos de Joaquim Manuel de Macedo e diversos desenhistas ao século XIX, já demonstrando preocupação com o descaso do patrimônio público da cidade. Destaco uma parede (que também não pude fotografar, infelizmente) com diversos quadrinhos com as vestimentas e as definições e profissões da época. Adorei fazer um comparativo e perceber as diferenças entre lá e cá, se é que existem…

Rio: Primeiras Poses nos transporta para a cidade acompanhando a evolução da fotografia na cidade e no Brasil de 1840 a 1930. Há uma grande tela interativa em que é possível ampliar as fotos e olhar por mapa, da pitoresca Copacabana deserta aos detalhes dos vestidos de Carnaval do início do século passado. A tecnologia permeia toda a exposição de forma genial, sem ser opressora. Há, ainda, a possibilidade de ver algumas fotos de forma tridimensional, com óculos especiais e um software próprio. Achei as fotos de arquitetura particularmente interessantes para se admirar dessa forma, elas parecem ganhar vida, me senti lá, juro.

A casa conta, ainda, com exibição de filmes com temáticas diversas, incluindo festivais e lançamentos. Hoje, inclusive, serão exibidos 2 filmes em 5 sessões. Eles custam de R$4,00 a R$13,00 a meia entrada. Nem preciso dizer que estou absolutamente encantada com esse espaço, né? Virou meu novo refúgio onírico, passando até o Parque Lage… E um salve pra equipe de lá, ao contrário da Casa Daros, onde o clima anda pesado e os funcionários carrancudos e proibitivos, a galera do IMS foi super solícita e educada, tirando minhas dúvidas e me fazendo recomendações. Tão de parabéns, tanto na limpeza, quanto na recepção, nos serviços e nas instruções. Arrasaram!

Não esqueça de pegar as palavras cruzadas sobre o Rio (papel azul) e preencher as percepções no papel amarelo do Eggleston. Se puder, coma um cheesecake no café e aprecie um pouco mais o passeio. Com sorte, uma garça (flamingo, ganso, sei lá…) aparece pra posar pra você também. Aproveite o rio!

P.S: A exposição a cor americana fica em cartaz só até esse domingo, dia 28, corre lá!

para mais informações, acesse:

  • Site do IMS, bem intuitivo e simples. Por ele, você pode acessar remotamente o acervo do IMS.
  • Blog do IMS, muitas postagens relevantes, destaque para Os limites dos Poderes por Carla Rodrigues.
  • Face do IMS, pra curtir e acompanhar.