O Minneapolis Institute of the Arts (MIA) recebe o Códice Leicester de Leonardo da Vinci e o expõe de forma inusitada junto a obras contemporâneas para falar sobre o processo criativo. Vem ler sobre essa experiência e conhecer melhor esse museu inovador.

Com o aumento da quantidade e da disponibilidade de informações, passamos a especializar e separar cada vez mais as áreas, consequência disso é a infinidade de cursos oferecidos em áreas cada vez mais restritas, sem visão do todo, que acabam formando inúmeros conhecedores de quase-nada.

Leonardo da Vinci, nascido em 1452, nos mostra quão recente é esse tipo de segmentação. Esse notório polímata tinha sede de conhecimento e se destacou, como ainda se destaca, como um constante curioso. Pintor, escultor, poeta, músico, cientista, inventor, engenheiro, matemático e botânico são apenas algumas de suas definições, mas, nenhuma delas poderia encaixá-lo completamente, dadas suas tantas atividades.

Passamos por uma era de especialização que, a meu ver, vem chegando ao fim, o todo nos instiga e move e, ao percebermos que estamos cercados pela realidade e pelos fatos, notamos que, se um dia foi necessário separar, hoje é preciso reunir as áreas de conhecimento e ter percepção e noção de todas as causas e consequências de nossos atos e pensamentos. Tudo está interligado, logo, devemos retomar a visão holística.

Para quem não sabe, o Codex Leicester, ou Códice Hammer, consiste numa complicação de textos escritos por Leonardo da Vinci entre 1508 e 1510. Comprado, em 1994, pela bagatela de 30 milhões e 800 mil dólares por ninguém menos que Bill Gates que, ao contrário de muitos colecionadores individualistas e gananciosos, vem emprestando essa raridade a diversos museus pelo mundo. De Dublin a Tóquio, passando por Sidney, o Códice agora estacionou no Minneapolis Institute of the Arts, nos EUA (veja você).

A proposta do Instituto com a mostra Leonardo da Vinci, o Codex Leicester e a Mente Criativa é bastante inovadora e coloca as anotações seculares junto a trabalhos de artistas e designers contemporâneos para que percebemos a importância dos exercícios de “pensar em papel”, notando a aproximação entre a maneira criativa de então e a atual.

Para ilustrar melhor, um trecho do caderno diz o seguinte:

“O corpo da terra, como os corpos dos animais, é interconectado por uma rede de veias que se encontram e são formadas para a nutrição e a vivificação da terra e de todas as suas criaturas…”

Essa repetição de padrões era percebida por Leonardo e usada por ele nas mais diferentes áreas. De acordo com o curador do MIA, Alex Bortolot, “ele entendia o mundo em termos de macrocosmo e microcosmo: a estrutura do todo refletida nas partes”. Assim, podia utilizar seu conhecimento em sistemas pequenos para explicar fenômenos maiores a partir da ligação de padrões de seres humanos a estruturas maiores. E foi dessa forma que ele fez tantas descobertas científicas sem acesso a tecnologias modernas.

Ah, uma curiosidade legal é que ele escreveu mais de 10 mil páginas durante toda sua vida e, acredite, tudo da esquerda para a direita, para evitar que sua manga ficasse suja de tinta, dado que ele era canhoto. Vai ser gauche na vida! Bradaria, com orgulho, o poeta Drummond ao encontrar seu parceiro de profissão.

Mas, se você não estiver planejando uma viagem a Minneapolis até 30 de agosto, não tem problema, você pode acessar o site do MIA e ver um pouco mais sobre essa exposição.

Fontes: