A Art Basel Miami Beach, mega evento de arte contemporânea e forte responsável pela reconstrução da cidade como pólo artístico, começa na próxima quinta-feira, dia 3. Então, o #sinestesiaindica o que fazer além do evento. Começando pelo Distrito Art Déco, com um tour guiado à pé (art deco walking tour) que amamos e recomendamos.

O movimento art decó (ou arts décoratifs), que se iniciou em 1910 na Europa e teve seu apogeu nos anos 20 se inspirou no cinema e nos glamurosos navios de cruzeiro da época, prezando pela beleza, elegância, sem esquecer a funcionalidade e o caráter geométrico (presente na arte da época). Participamos de uma caminhada guiada pelo simpático Martin que se iniciou no Welcome Center, onde fica o Museu de Art Déco e seguimos por lobbys de hotel, calçadas calientes e paisagens do bairro, os pequenos prédios ganharam nossos corações.

SoBeApós traçar um curto perfil dos dois jovens casais participantes do tour (sim, tour guiado com dois casais jovens interessados em design, cultura e história), Martin nos falou sobre Barbara Capitman, a grande idealizadora da Liga de Preservação e maior responsável pela manutenção dos lindos prédios do Art Déco District. Sem ela e a série Miami Vice, Miami Beach certamente não teria se tornado a joia que é hoje.

Conhecida pela violência e o descaso nos anos 80, Miami foi escolhida como cenário de uma série policial com figurino de Gianni Versace. Não à toa, a popularidade da cidade cresceu ainda mais após a construção de uma mansão do estilista aos pés da praia de South Beach, ou SoBe, para os íntimos. Após atrair celebridades como Tom Cruise e Lady Di para suas enlouquecidas festas e tornar a cidade, de fato, badaladíssima, Gianni Versace foi assassinado em frente a sua casa… O que chamou ainda mais atenção para a ilha, dada a fixação de americanos por assassinatos, stalkers e histórias bizarras. O espaço de arquitetura mediterrânea acaba de ser comprado pelo hotel ao lado e está sendo reformado para receber hóspedes. Pra quem quiser conhecer, há um restaurante em funcionamento na propriedade.

 

Além de ver paredes de pele de tubarão, janelas náuticas, cascos de tartaruga decorativos – lembre-se que os tempos eram politicamente incorretos -, flamingos, palmeiras e a influência dos letreiros de cinema (assistir a filmes mudos era um dos entretenimentos mais usuais dos anos dourados) na arquitetura, passamos a ver a cidade e suas paisagens de outra forma [veja as FOTOS NA GALERIA ao final]. Uma curiosidade interessante é a invenção das eyebrowns, ou sobrancelhas (acima), numa época anterior ao ar condicionado, eram espécies de toldos de alvenaria acima das janelas, para que, a medida que o Sol subisse, fosse criada uma sombra na janela, mantendo a temperatura interna, assim, quando o sol estivesse a pino, a janela estaria completamente coberta com sombra.

Pra saber um pouco mais da história da cidade, dê uma olhada noutro post nosso de alguns meses que conta tudinho sobre suas construções e reconstruções e, ainda, nossa percepção sobre a limpeza e preservação que nos embasbacaram em Miami Beach.

 

Após algumDineras dicas de restaurantes, Martin encerra nosso passeio bem na hora do almoço. Com o calor surreal, dispensamos a comida cubana (especialidade da cidade) e comemos na 11th Street Diner, um autêntico trailer reformado que funciona em Miami há 23 anos servindo comida tipicamente americana, pra se acabar no milkshake com sandubão no melhor estilo Grease… (Ficamos na salada com salmão dessa vez e acabamos deixando o sanduíche pro último dia, no famoso Johnny Rockets, de que falaremos em outro post).

 

Déco bike

Pra gastar algumas calorias, resolvemos pegar a déco bike (como tudo mais nos EUA, é só colocar o cartão de crédito, no nosso caso, Travel Money, mas todos os cartões funcionam igualzinho: enfiar na máquina, assinar – eles não usam chip com senha ainda…- e sair pedalando), sistema bem mais simples que as bikes do Itaú aqui do Rio. Pedalamos pela belíssima orla com muita tranquilidade olhando as marés de turistas de todos os lugares indo e vindo da praia, que é bem azulzinha, mas cheia de algas.
WolfsonianDeixamos as bikes e fomos ao Wolfsonian FIU, um museu de arte e design com foco do período da Revolução Industrial até o fim da 2ª Guerra Mundial, mas, é claro, não faltam elementos art déco na sua construção, com destaque para a grande e dourada fonte congelada (hit dos anos 20) na entrada das salas expositivas. O museu tem um programa educativo bem abrangente, com sugestões de brincadeiras de espião e descobertas pelo museu que todos podem fazer. Uma boa pedida pra levar os filhos. (ahh, a visita às exposições é paga)

Indicamos, pra quem gosta de objetos bem-humorados e quer fugir da mesmice dos souvenirs típicos, a loja do museu, com livros, caderninhos, luminárias, jogos e muito mais pra decorar a sua casa com design, elegância e, literalmente, muita graça. Um bom lugar pra tomar um cafezinho e discutir uma mudança pra Miami (confesso que deu vontade…) Terminamos nosso passeio à pé até a Española Way, onde estávamos hospedados. Uma rua bem turística com restaurantes e muita música, não comemos lá porque os preços eram mais altos, mas vale a caminhada (porque os carros são proibidos…). (;

Lincoln Road
Fomos, então, até a Lincoln Road, uma rua beeeem longa, também sem carro, recheada pelas queridinhas fast-fashion, como H&M e Forever 21 (que já chegou no Brasil) além de lojas como a da Havaianas, restaurantes como o Havana 1957, loja de doce de brilhar os olhinhos, livraria da Taschen, uma Apple Store e a Ricky’s NYC, que pratica preços bem legais pra produtos de beleza como Bed Head, L’Oréal e NYX, por exemplo.

 

 

Dia de muita caminhada como toda boa viagem pede. Em breve a gente posta mais dicas de Miami! Já foi lá? Conta pra gente como foi e o que te chamou atenção na terra das palmeiras…