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Já ouviu falar em sonhos lúcidos? São aqueles que conseguimos perceber como sonhos e, mais importante, controlar tudo que acontece, como um diretor de cinema, vamos guiando as cenas a nosso bel prazer. Já teve essa experiência? Se ainda não, vem que te ajudamos!

Felizmente, boa sonhadora que sou, amo dormir e, desde nova, já tinha sonhos lúcidos, passava minhas noites conhecendo lugares que ainda não havia visitado. Uma das minhas maiores ídolas era a Vampira dos X-Men, então, frequentemente, me encontrava em sua pele dentro do mundo de Morfeu, voando por aí…

 

Um fatídico dia, assisti ao filme Waking Life (2001), do diretor Richard Linklater (que lançou, em 2014, o aclamado Boyhood) e, sinceramente, tudo em minha vida mudou.  Basicamente, o filme aborda diversas teorias filosóficas e científicas sobre sonhos, evolução, percepção, consciência coletiva e lucidez. Ah, a gravação foi encoberta por desenhos que, descrevem bem, cada um à sua maneira, o que está em discussão no momento. O foco principal, posso dizer, é o sonho lúcido, a capacidade de perceber e controlar a história onírica. Ele, inclusive, dá algumas dicas de como perceber que está em um sonho (testes de realidade), como apertar os interruptores, que não funcionam ou os relógios digitais, que estão sempre loucos.

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À época, cursava Direito e andava bem triste pela falta de interesse nas matérias do curso. Resolvi, ao terminar o filme pela primeira vez (sim, é preciso ver váaaaaarias vezes pra pegar as teorias que aparecem nele) que precisava, de alguma forma, complementar aquela faculdade que em nada me alegrava. Após alguma pesquisa, resolvi que faria Filosofia. Era ela  que guiava e permeava tudo que fora dito no filme. E assim eu fiz, acabei passando para a Universidade de Brasília e fiquei um ano cursando os dois, até perceber e aceitar minha realidade, filósofa era o que gostaria de ser.

Contei essa particularidade para demonstrar o quão maravilhoso é esse filme… Voltemos ao sonho lúcido? Então, em meio a minhas pesquisas, descobri que existem VÁRIAS maneiras de induzir sonhos lúdicos. A seguir, uma delas, pra iniciar:

  1. Separe um caderninho. Ao dormir, coloque ao seu lado com um lápis. Esse será seu diário de sonhos.
  2. Quando estiver pegando no sono, repita para si mesmo que quer lembrar dos sonhos de manhã. Assim que acordar, pense no sonho.
  3. Anote tudo que lembrar, mesmo os fragmentos e as sensações, quanto mais fizer, mais se lembrará.
  4. Escolha uma técnica de indução de sonhos lúcidos. Existem diversas e você as encontra aqui.

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Se você está se perguntando pra quê controlar os sonhos…. Bom, você, certamente, precisa desenvolver mais a imaginação e a criatividade. Mas, se ainda tiver dúvidas, aqui vai uma lista de benefícios dos sonhos lúcidos.

Sabemos que a psicanálise se utiliza dos sonhos para analisar seus significados, Sigmund Freud (1856-1939), por sua vez, lançou A Interpretação dos Sonhos em 1899. Os sonhos lúcidos são usados pelos monges tibetanos há eras e, desde a década de 70, começaram a ser pesquisados pela ciência, tendo como grande expoente, no Brasil, Sidarta Ribeiro e Sérgio A. Mota Rolim, no Instituto do Cérebro da UFRN. Federico Fellini (1920-1993), o grande diretor italiano, anotou em forma de escritos, desenhos e pinturas, seus sonhos mais loucos. Não é de suspeitar o caráter onírico exagerado de suas produções.

A publicitária Márcia Granja, por sua vez, resolveu trazer para o mundo da arte e da internet a nossa profunda relação fragmentária com os sonhos. Ela criou o Sonhos num Potinho, uma página em que você descreve seus sonhos, e artistas os recriam como ilustrações.

Então, que tal se tornar um onironauta?

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Referências:
  • Sonhos Lúcidos
  • Lucidity – ENG
  • Waking Life – Richard Linklater
  • O Livro dos Sonhos – Federico Feliini
  • Qualquer filme do Fellini
  • A Interpretação dos Sonhos – Sigmund Freud
  • Sonhos Lúcidos – Dylan Tuccillo, Jared Zeizel e Thomas Peisel
  • Despertar no Sonho – B. Allan Wallace