Você sabia que um dos maiores centro de arte contemporânea do mundo fica bem aqui no Brasil? Pois é, não só de Veneza e NY vivem os amantes da arte. Pertinho de BH, em Brumadinho, fica o Instituto Inhotim. Um grande verdejante parque repleto de intervenções, galerias, orquídeas, restaurantes e espaços educativos.

Idealizado desde os anos 80 por Bernardo de Mello Paz, as obras eram vistas apenas por convidados até que, nos anos 2000, as visitas começaram com escolas e públicos específicos para, em breve, ser aberta ao público. Até o ano passado, mais de 2 milhões de pessoas já visitaram. Vamos conhecer?

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Pra instigar mais a vontade, vamos falar um pouco sobre as obras e galerias mais afastadas ou escondidas pelo enorme espaço que abriga o Instituto. Nós fizemos uma pesquisa intensa e visitamos o parque inteirinho só pra contar as boas pra você!

Pra começar, todo museu pago tem um dia gratuito, no Inhotim, esse dia é quarta. Mas se você é daqueles que curte um museu vazio, pode esquecer, quarta é o dia que booomba e a piscina (sim, piscina!) fica estilo piscina pública mesmo, melhor evitar! Outra dica boa é pegar o carrinho, eu sei, custa 25 reais por pessoa, mas vale a pena. Pegamos na quarta (que economizamos as entradas) e deu pra conhecer boa parte do parque e as obras maaaaais distantes que demandam uma bateção de perna boa! Fica a critério!

Ouvimos muito sobre a abertura de um hotel 6 estrelas (isso mesmo, 6) por lá e vimos uns tratores a mil, mas não ouvimos nada sobre aberturas de novas galerias, por enquanto, estão tentando restaurar algumas que estão com problemas estruturais, como a Galeria Doris Salcedo, cuja obra está sendo destruída pela presença de pessoas no espaço… Complicado, né?

De qualquer forma, por enquanto existem 3 rotas; a Amarela, a Rosa e a Laranja.

Vamos aos segredos escondidos!

  • No trecho rosa, as galerias mais óbvias no mapa, mas que demandam uma subida de 560 metros (de carrinho é rapidin…), e que são essenciais:

Doug Aitken com o Sonic Pavilion [G10], um cano enfiado por 202m abaixo da terra  com 6 microfones transmitindo lá do fundo , em tempo real, os sons das profundezas em 8 alto-falantes dispostos ao redor da galeria redonda que, por ficar em terreno elevado, garante uma visão espetaculosa do verde. O vidro tem um efeito translúcido que só te permite ver o local que você foca, deixando as laterais embaçadas. Imperdível!

Dica esperta: tente se calar e ouvir a Natureza!

Pertinho dela você encontra Matthew Barney [G12] com uma linda e monstruosa homenagem à ativista ecológica Julia Butterfly Hill (morou mais de um ano em uma árvore para evitar sua derrubada e a preservação do parque à sua volta, com êxito!), que se originou numa performance e acabou se transformando numa galeria entocadinha no meio do mato. Quando você chega, se depara com estruturas angulares (geodésias) formando uma espécie de colméia brilhante, parece coisa de outro mundo.

Ao entrar, é tomado pela visão de um enorme trator (daqueles que arrancam árvores milenares sem muito esforço) levantando uma árvore de polietileno (resina). O trator, inclusive, foi usado para abrir a clareira que abriga a galeria e dizem por aí que o artista jogou a chave dele pelo matagal, transformando o objeto prático em objeto de arte (museificado, inútil). Dentro dela, rola um calor intenso e é difícil ficar muito tempo, mas o desconforto é proposital, pra nos lembrar do que acontece quando arrancamos todas as árvores…

Pra fechar os segredos (nem tão secretos) do ciclo rosa, não poderia deixar de falar da recém inaugurada galeria da Claudia Andujar [G23], foi a primeira que visitamos dessa vez e foi uma grata surpresa. A galeria em si parece uma construção milenar e destaca as belíssimas e importantes fotografias da (também) ativista e artista por pequenas claraboias e espaços de luz que mostram a natureza entre as imagens. A estrutura de tijolos com vidros, metal e madeira casam com o ambiente e foram, inclusive, “abençoadas” por uma pajelança feita pelos índios Yanomami no dia da abertura.

Claudia, nascida na Suíça, chegou ao Brasil com a barreira da língua e passou a usar a fotografia como meio de expressão, conheceu a Amazônia e se apaixonou pela cultura indígena. Interessante notar como o estilo de fotografia casa perfeitamente com a cena retratada, demonstrando sua interação profunda com o ambiente e as cenas. A beleza da inocência, a dor da invasão, o êxtase dos rituais, o cotidiano, a comida, as sensações são todas muito intensas.

  • No percurso amarelo, a obras são mais próximas, mas indicamos:

By Means Of a Sudden Intuitive Realization [Por Meio De uma Súbita Percepção Intuitiva] de Olafur Eliasson [A8]. Ui, complicou! Calma que a gente desmistifica… O artista dinamarquês pensa muito na relação entre arte e natureza e desenvolveu esse iglu (utilizado para cobrir as nascentes de água quente na Islândia) de fibra de vidro que recobre um jato d’água com rápidas emissões de luz um pouco tonteantes que brincam com nossas percepções e sensações. Sinestesia impera nessa obra, confundindo imaginação e visão.

Ainda no amarelo, não perca a Galeria do Cildo Meireles [G5] que conta com 2 obras interativas fenomenais, Desvio para o Vermelho de 1967 e Através de 83, além de sua obra Inmensa [A3] entre os circuitos rosa e amarelo.

Cildo Meireles, Inmensa, aço, 400 x 810 x 445 cm, 1982 – 2002. Foto: Tibério França

Perceba a variedade de bancos, poltronas, sofás e cadeiras de madeira produzidas com árvores por Hugo França, elas se espalham por todo o Inhotim e o artista/designer é conhecido por utilizar matéria prima do espaço em que ocupa… (;

Calma que não acabou! Temos mais pra compartilhar na segunda parte dos Segredos do Inhotim.

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Dominik Lang – Inhotim

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