A criatividade e o espírito inovador borbulhavam no último Museums Showoff Rio que aconteceu no Oi Futuro Flamengo. Entre trabalhos com população de rua que habita os arredores do museu, coletivos de arte educação, audioguias e plataformas virtuais altamente responsivas, o encontro deu pano pra manga.

Foi na última quarta-feira, 27 de abril que aconteceu a reunião das cabeças mais ousadas da museologia e dos eventos de arte e cultura cariocas. Organizado por Claúdia Porto e Luis Marcelo Mendes, o evento teve sua primeira edição carioca em 2014. Os participantes têm apenas 9 minutos para mostrar seus projetos/ações e podem, além de inspirar a plateia, conseguir patrocínio ou formar parcerias com potenciais ouvintes.

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Quem abriu a noite foi Christophe Buffet, do Estúdio Zutt, que trabalha com experiências sonoras dos espaços, desenvolvendo guias, conversas e teasers sempre em forma de áudio, com destaque para as percepções bem humoradas feitas por crianças para a exposição em cartaz Histórias da Infância no MASP.

Em seguida, foi a vez da idealizadora do Cluster, Carolina Herszenhut, que apresentou algumas medidas do coletivo que vão totalmente na contramão do engessamento e da falta de flexibilidade da maioria das instituições. A plataforma multicultural promoveu um evento no último domingo, dia 24, na belíssima Casa da Glória pra falar sobre ‘Consumo Ético’, o encontro contou com exibição de filme, clube de trocas, laboratório com artistas, além das tradicionais marcas de gastronomia e moda. A principal mensagem foi a importância de escutar, valorizar e permitir a circulação de opiniões, sugestões e resoluções em conjunto, compartilhando narrativas. Ela trouxe exemplos do ousadíssimo e delicioso Brooklin Museum¹ de NY.

Pedro Herzog, da Plano B Design trouxe o Shiro 3.0, uma plataforma virtual para acervos digitais responsiva, interconectada e colaborativa. O verdadeiro sonho  pra quem procura experiências de arte imersivas e descomplicadas na web. Entre os usuários dessa forma de arquitetura em rede destacamos o Instituto Tom Jobim, localizado no Jardim Botânico que, em dias de chuva intensa pode ser facilmente acessado pelo acervo digital que conta com iconografia, música, textos, áudios e vídeos que parecem infinitos e não se limita ao saudoso Tom, passa por Chico Buarque, Milton Nascimento, Dorival Caymmi, Gil, Lúcio Costa e Paulo Moura. Só peca na falta de mulheres contempladas por essa tecnologia incrível, além do design dos acervos especificamente, que é bem menos responsivo e belo que o da página principal do Instituto, usando uma interface mais careta e, ainda assim, sensacional.

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Após um pequeno intervalo (porque nem museum enthusiasts são de ferro) a palavra foi dada a Manuel Thedim, economista sorridente e carioquíssimo, diretor do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS) que pensa desenvolvimento qualificado e realmente dominou o microfone com uma habilidade de palestrante que, me perdoem, deixou os outros no chinelo… Enfim, ele falou sobre a coleta de informações dos cidadãos cariocas, com o objetivo de compreender melhor as estruturas sociais, financeiras e políticas que, unidas constroem o cotidiano, as dinâmicas de emprego e transporte, entretenimento, violência e tudo que forma nossa sociedade em rede. Tá de parabéns, Manuel!

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A diretora do educativo do MAR falou sobre A Escola do Olhar que oferece cursos de percepção e formação em arte para professores e mediadores, além das conversas de galerias, cafés da manhã com os moradores da região (vizinhos do MAR que, inclusive, têm entrada gratuita no museu), além das usuais visitas educativas. Difícil é conseguir se inscrever nesses cursos…

Quase no fim, uma gravidíssima Bia Jabor não poupou fôlego para cumprir os 9 minutos falando sobre as atividades de arte educação feitas na extinta (choro contínuo!!!) Casa Daros, com um programa educativo que afirmava “Arte é Educação” com atividades colaborativas e contínuas com escolas e abrigos, encontros com multiplicadores, performances pelos casarão esplendoroso e cursos dados pelos artistas. Com o fechamento, parte da equipe se uniu para formar o Coletivo de Consultoria em Arte-Educação Camará. Infelizmente, elas não deixaram contato e eu não encontrei nadinha online.

Por último e mais emocionante, Luiz Pizarro, Curador de Educação do MAM, com o recém-lançado projeto ‘MAM em Movimento’, que busca aproximar os moradores de rua que frequentam os espaços ao redor do museu propriamente. Ele os convidou a fotografar o Aterro do Flamengo e, em 4 encontros, conseguiu trazê-los para visitar as exposições e, muito orgulhosos, ver suas próprias obras projetadas nos paredões imensos do museu. Linda iniciativa que empodera e traz novos conhecimentos. E, quem sabe, é um passo pro retorno à sociedade.

Foi isso! Aguardamos, ansiosamente, pelo próximo!

 

 

 

¹Brooklin Museum: Se for a NY, vá lá! Senão, entre na página. O Brooklyn Museum é incrível, enaltece seu território e seus vizinhos, aproxima o público do museu e promove novos artistas, funcionando como uma verdadeira plataforma de criativos, inspirando os visitantes e dando espaço prum futuro mais inteligente, artístico e inovador, como escrito em sua missão. Dá só uma olhada nas exposições: clique.