Tempo de leitura: 2min e 30sTemos acompanhado, em menor ou maior grau, a ocupação das escolas pelos alunos de escola pública. Mas o que a grande mídia falha em reportar é que o sucateamento e as condições precárias que fizeram com que os alunos ocupassem suas escolas ajudou a criar consciência e sensação de pertencimento por parte dos alunos.

Isso mesmo, pertencimento. Infelizmente, a coisa pública no Brasil não é considerada de todos, mas de ninguém, sem dono, sobra, resto. As praças, as ruas, os prédios do governo, nada é mantido com carinho porque as pessoas não consideram essas coisas como suas… Agora, quando você mora, quando você ocupa, ele deixa de ser o espaço sem dono e passa a ser seu lugar, SEU. E isso é maravilhoso.

Num dos vídeos que assisti, um aluno falava sobre o fato de que ele só ia à escola pra zoar, fazer bagunça, e desde a ocupação, ele tem lido, discutido questões, cozinhado, limpado os corredores da escola e muito mais. Pertencimento. Isso muda tudo.

Com o acesso à informação que a internet trouxe, os alunos sabem o quão atrasado é o modelo escolar que vigora no Brasil. O aprendizado escolar, infelizmente, tem uma vertente limitadora ao invés de questionadora. Ele não eleva e guia o aluno para conquistas e descobertas, ele limita o que crê importante e traça, inclusive, uma maneira única de pensar como certa.

Felizmente, muitos pais e alunos percebem que é necessária uma mudança do sistema. Ora, a escola deve ser uma facilitadora de pesquisa, não uma cerceadora de direito. Mais liberdade e menos cerceamento de direitos, incentivando o livre pensar, a criatividade e o uso da tecnologia como ferramenta de estudo e ensino. Algumas iniciativas, como o Institute of Play, de que já falamos por aqui, compreendem a importância de  um ensino com diversão e vontade de aprender por parte do aluno.

Nessa vertente, temos o conceito de unschooling, ou desescolarização, uma tendência crescente no Brasil, fomentada pela ausência de liberdade e representatividade de pedagogias que auxiliem na formação individual das crianças dentro de sala de aula. As classes hierárquicas têm gerado mais violência, dessocialização e depressão entre os alunos, que são tolhidos e vetados de pensamento próprio, em instituições que procuram enquadrá-los e torná-los o mais parecidos uns com os outros (num sentido limitador e cruel) quanto possível, sem respeitar suas diferenças e discutir sobre a importância da diversidade, que é tão necessária à convivência em comunidade.

A desescolarização, portanto, busca aprender sem classes, hierarquias ou metodologias cartesianas ou catequéticas, como uma escola da vida, que pode englobar a análise de plantas no quintal, o aprendizado do plantio, a pesquisa levada pelo próprio aluno a respeito do que o interessa conhecer, incluindo brincadeiras, jogos, responsabilidades domésticas, experiências de trabalho e interação social, em vez de fazê-lo através do currículo escolar tradicional, extirpando o método escolástico da vida do aluno.

Em resumo, aprender com a vida, que, no fundo da nossa invenção de sociedade, é o que realmente importa. Se você quer saber um pouco mais sobre a vivência educacional, assista à palestra de TEDx abaixo, sobre uma mãe e um filho que resolveram dizer mais SIM para as questões da vida e trocaram a escola e o trabalho por 7 anos de viagem e educação libertária, experimentativa e perquisadora. Maravilhoso! #SinestesiaIndica #EducaçãoLibertária