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Eis que 2017 começa de verdade. Como bons brasileiros que somos, entendemos que nosso país só funciona de verdade depois do carnaval… E a festa da carne fez bonito na ocupação da rua, que, diga-se de passagem, é o mote principal do Sinestesia Mutante.

As ruas do Rio (e de várias outras cidades) foram inundadas por música, animação e muita, muita purpurina. Se nossas manifestações foram feitas pelo whatsapp, o carnaval não seria diferente, não é mesmo? Foi uma semana de correria atrás de bloco e confirmação de informações com prints e envios de localização.

Que bênção fazer parte dessa festa e emanar todas as energias acumuladas e pirações de 2016. A gente viu muito amor, muita arte e muito respeito. Ainda temos um looongo caminho de feminismo, luta e empatia, mas esse carnaval foi o mais libertário e sincero que vejo em muitos anos. Vivemos a real retomada da diversão de rua num carnaval que fora considerado extinto pela violência urbana.

Menos sapucaí e mais pé no chão. O carnaval de rua não perdeu nem na montação nem na purpurina pras maravilhosidades da Marquês. Mas, certamente, venceu em amor, transexualidade, tolerância, respeito e tombamento. A megalomania das escolas de samba acabou causando alguns acidentes graves, excessos e reforçou o estado nada laico em que vivemos, retirando da avenida um carro sincrético maravilhoso que unia Oxalá a Jesus Cristo, mas causou “desconforto” na atrasada igreja católica, que insiste em se meter na arte e no carnaval, que são a celebração de tudo que ela diz ser errado e imoral.

Mas voltemos pra rua, que é onde ficamos mais à vontade. O Boi Tolo  (que na verdade foram vários) parece ainda estar passeando pelas ruas deixando seu rastro de gargalhadas, o Caetano virado ocupou o Aterro do Flamengo em plena noite de sábado repleto de Tietas, Tigresas e Odaras, Tecnobloco elevou o nível de correria e passou a ser o novo exercício da juventude techno hipster da cidade, Amigos da Onça deixou de ser bloco de rua e colocou um verdadeiro desfile na rua, ano que vem, provavelmente vão disputar com as outras escolas… Michael Douglas reinou! A cerveja perdeu seu lugar pra água. Teve bundinha sim, teve peitinho sim. E foi DEMAIS! Agytoê teve dificuldade de começar devido ao fluxo intenso de pessoas, mas, entrando na Carioca, rua que abrigou o ZiCartola, bar de Cartola e Zica, tudo se acertou e o dourado tomou conta do coração de quem seguiu o bloco. Foi lindo!

Claro que a gente fez parte dessa loucura toda com muito orgulho e afinco. E não é que nossa família cresceu e agora temos uma fotógrafa maravilhosa coladinha no nosso rolê? Pra começar, ela clicou nossa entrada no Carnavrau, com o Pérola da Guanabara, que fez bonito do Rio até Paquetá e durou o dia inteiro por lá.

Thásya Barbosa é designer, fotógrafa, artista e musa maravilhosa. Ela encontrou na fotografia a sensibilidade estética que se faz para além de capturar imagens, permitindo contar histórias e prazeres no reconhecimento de si na imagem d@ outr@, expondo seu olhar conceitual. Dá uma olhada!

Referências: