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Que educação faz sentido, hoje? Que tipos de trabalhos estamos criando? Quais empregos deixarão de existir?  Que tipos de cidadãxs prentendemos ser? Afinal, que sociedade queremos construir?

A educação está profundamente relacionada a todas essas questões. Ainda assim, ela segue um modelo tradicional coercitivo, obrigatório, capitalista, baseado em sucesso utópico, competição, estruturas hierárquicas e valores que, cada vez mais, perdem sentido para a sociedade que estamos formando e reformatando.

Com o aumento da consciência ambiental, o retorno à percepção de que somos parte da natureza e de que precisamos modificar nossas práticas predatórias, com a falência do modelo capitalista, com a infelicidade geral, com as guerras crescentes, com a intenção de mudança, vem a noção de que a educação precisa, com urgência, se transformar para atender às novas demandas.

Entendendo e compartilhando desse movimento de mudança, começamos a mapear e encontrar as iniciativas, escolas, pessoas e grupos que adotam modelos libertários, colaborativos e associativos.

Hoje, trabalhamos em uma associação colaborativa de empreendedorxs, a Gomalocalizada na Gamboa, berço da cultura carioca e coração do Rio de Janeiro, lugar de muita desigualdade social e que passa por mudanças profundas desde as Olimpíadas que faliram a cidade e propiciaram um novo olhar turístico para a região, com a derrubada da Perimetral e outras iniciativas do tipo.

Empresas e vivências familiares, ecovilas e casas compartilhadas, conhecemos muitos exemplos. Contudo, ser disruptivo com a educação das crianças é algo, ainda, profundamente criticado, como a Summerhill, de A.S. Neill, fundada em 1921, que já foi ameaçada de fechamento algumas vezes, mas segue seu projeto de formar pessoas bem resolvidas, livres e, portanto, felizes.

Nesse intuito por conhecer, visitamos a Escola Janela, em Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros e fizemos uma facilitação com xs professorxs, além de participar de algumas aulas e promover atividades com as crianças, foi uma imersão de muito afeto, aprendizado e troca. Agradecemos, em especial, à Fernanda Poletto, (des)organizadora educacional e coordenadora da Janela, que nos recebeu de braços, portas e janelas abertas, inclusive, as da sua casa e seu jardim para nos hospedar com muito carinho e gentileza. Obrigadx!

 

 

 

A escola é uma iniciativa da Associação Socioeducativa Buritirana, mantida pelas famílias dxs alunxs e da comunidade, além de doadorxs. Metade das vagas da escola é destinada à cota social e há uma grande preocupação com a consciência ambiental (a escola fica em plena Chapada), a sabedoria ancestral (a família participa ativamente das decisões, lanches e eventos, além de Cavalcante ser uma cidade calunga) e a liberdade das crianças pra decidirem o que têm interesse em aprender e serem ativas em sua própria educação, participando, inclusive, das tomadas de decisão da escola. Incrível, né?

Há pouco tempo, a escola abriu a série Janelas de Inovação da Fundação Telefônica, assista abaixo.

Aproveitando a visita ao Cerrado, visitamos a Vivendo e Aprendendo, associação criada em 1982 no mesmo intuito e formato colaborativo e democrático. Lá, comemos florzinha de jambu direto do pé e entramos na ”casinha de lobo” projetada e construída pelas crianças. Maravilhoso!

 

 

 

Importante notar que, em todos esses contextos, a afetividade tem papel fundamental para a liberdade, a colaboração e o aprendizado real, é ela que abre espaço e possibilita todo o sistema de educação libertária e centrada na pessoa de que tratamos.

Em junho, facilitaremos as rodas de Mídia e Tecnologia e Sustentabilidade Financeira na Conferência Nacional para Novas Alternativas na Educação (CONANE 2017). Que tal se inscrever e vir trocar experiências com a gente e outras pessoas que se preocupam e buscam as soluções para o ensino que queremos?

 

 

 

A proposta do evento é bem colaborativa e horizontal, o tema desse ano é Inovação e Sustentabilidade, contando com espaços de vivências, círculos de partilha e muito mais.

Presenças confirmadas de Sri Prem Baba, da Educação para a Paz, José Pacheco, fundador da Escola da Ponte, Raquel Franzim do Instituto Alana e Claudia Passos, da Gaia Escola, além de muitas pessoas que buscam caminhos alternativos ao tradicional. Esperamos vocês lá!