Um mergulho colaborativo de quatro meses gera exposição de arte contemporânea com 23 curadoras(es) e 12 artistas. A exposição limiares abre no dia 29 de julho e, com muito orgulho, a Sinestesia Mutante faz parte desse núcleo curatorial pronto para experimentar e repensar os modelos de exposição em voga.

Marcelo Campos, Ileana Pradilla, Leila Scaf e Fernando Leite são idealizadoras(es) e professoras(es) do curso Imersões Curatoriais, uma jornada de 29 encontros que se iniciaram na Casa França-Brasil (reinventada por Marcelo Campos) em abril e foram transferidos, abruptamente, para o Paço Imperial.

Exiladas(os) da Casa França-Brasil, as Imersões Curatoriais foram gentilmente abrigadas no Paço Imperial (ali na Praça XV, sabe?), onde passamos a ocupar parte da biblioteca para sediar nossos encontros semanais.

Toda as terças e quintas às 18h, então, nos reuníamos no pequeno espaço que recebia as luzes verdes de uma ALERJ gradeada e, após o toque da Ave Maria da Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo, começávamos nossas discussões sobre arte, crise política, contexto atual e, sobretudo, qual o papel da exposição no contexto em que vivemos, hoje e o que queremos, afinal comunicar.

Após muuuuitas conversas sobre as obras, os caminhos da curadoria, a expografia, o design, a pesquisa, além de questões mais profundas como gênero, sexualidade, fora temer, apropriação cultural, expulsão, memória(….), discussões inflamadas e alguns pontos de concordância, a exposição, com o privilégio de trazer somente trabalhos de mulheres, está confirmada para inaugurar o novo espaço experimental da casa em que foi assinada a Lei Áurea.

Entrevistamos as artistas, pensamos as relações entre os trabalhos, que foram, em sua maioria, desenvolvidos para a exposição num curso paralelo chamado Imersões Poéticas. Um trabalho coletivo ainda ativo e crescente.

Limiares se divide em três núcleos: Cotidiano, Travessias e Insurgências que descrevem bem os transbordamentos presentes nas obras e nas questões que apontamos para as(os) visitantes.

Em suma, no contexto complexo de crise em que estamos inseridas, a coletividade e a colaboração estão em alta e se mostram formas muito efetivas de realizar ações. Se isso ocorre, cada vez mais na economia, com exposições de arte não seria diferente.

Decisões em conjunto demoram mais pra acontecer, mas quando acontecem, são mais duradouras e enriquecidas pelas muitas mentes envolvidas.

Esperamos que esse projeto cresça e floresça e que desenvolvamos muitas outras ativações pela cidade com esse diverso e poderoso grupo que formamos. Sigamos!

 

imagem: Bia Petrus