Vivemos em tempos sombrios. Somos governadas por pessoas em quem não confiamos. Andamos na rua com medo. Somos julgadas por nossas escolhas.

Nosso sistema faliu. Nossa liberdade está em perigo. As leis nos vitimizam e punem, mas não nos dão amparo. Em meio a todo esse caos, temos vontades que são submetidas a nossas necessidades, a nossos corpos, à vontade do outro.

Tratadas como objeto de desejo. Muitas vezes, esquecem-se que somos humanas. E se em todos os outros espaços nos diminuem pelo feminino, aqui, nos elevaremos. Somos todas irmãs. Somos todas filhas. Somos todas bruxas. Somos todas.

Nossa sociedade gira em torno do capital, do poder e do dinheiro, das falsas imagens, da idolatria à futilidade, da pose e da posse. A arte, por sua vez, reflete essa realidade e pode se desprender da busca incessante, bem como a filosofia ao buscar as questões transcendentais, instigando, provocando deslocamentos da dita normalidade e do utilitarismo cotidiano.

Assim, pedimos que você se desamarre do que considera prático, usual, palpável, aceitável e belo. Embora todas essas questões também estejam aqui, pedimos que você se coloque a questionar, que se pergunte, que ative os sentidos e as percepções que você não costuma usar.

Ouse.

Experimente.

Sinta.

Pense.

Afinal, a arte contemporânea não tem utilidade prática, não pretende nada, ainda assim, “a arte existe para que a realidade não nos destrua” ¹. Substituimos a contemplação passiva por um re-ver, por uma experiência, em que “a obra é processo de observação”².

E, em meio a uma realidade tão temerosa, nada mais sutil e escancarado que essa ferramenta que gera questionamento, estimula o senso crítico, incomoda e perturba sem pretender nada.

 

¹ NIETZSCHE, F. (1844-1900)

² SCHWANITZ, D. (1940-2004) Cultura Geral. p. XVIII