A última parte do nosso texto sobre o curso [re]agir.

DIAS DE GLÓRIA

SVB - 27.08 (41)

Os Dias De Glória pretendem riscar uma nova cartografia do bairro a partir da experiência afetiva e desviante desse espaço. Re-visão pela vivência. Abertura para a experimentação do espaço pela arte, criando novas e infinitas possibilidades cartográficas e ocupar a Rua da Glória com arte.

Queremos provocar, incomodar, perturbar e ativar as pessoas da redondeza e passantes a partir de intervenções artísticas na Rua da Glória com ativações estético-poético-políticas.

A Curadoria dos Dias de Glória foi feita por pessoas que estudam e respiram arte, grupo que se encontrou durante a criação e produção da exposição colaborativa Limiares realizada em julho de 2017 no Paço Imperial sob orientação de Marcelo Campos, Ileana Pradilla e Leila Scaf.

Apesar de ter em comum a paixão e dedicação à arte contemporânea, o Grupo 7 de Curadoria potencializa sua força na pluralidade e multiplicidade de cada um de seus integrantes, que vão da filosofia ao carnaval passando pelo economia circular, arquitetura e atravessados por diferentes paixões que guiam e tornam o trabalho mais consciente, rico e plural.

Destaco, aqui, minha relação com a economia circular e com a busca por cidades mais inteligentes e participativas. De acordo com estudos da Ellen MacArthur Foundation, sistemas urbanos devem ser desenhados para serem regenerativos, acessíveis e abundantes. Já existem, inclusive, estudos financeiros e sociais demonstrando que, a médio e longo prazo, tanto as iniciativas públicas quanto as privadas e os próprios cidadãos são profundamente beneficiados com as mudanças de sistemas que se pensam com as três vertentes citadas acima. A transição deve começar já.

PRÓXIMOS PASSOS

SVB - 27.08 (17)

Depois de 5 acontecimentos gloriosos, fora a participação nos Cine Mureta, Provoca.ações e outras programações na Casa de Estudos Urbanos, percebemos a importância de reagir ao crescente medo de flanar pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro.

Além de transportes públicos ineficientes e caríssimos, governantes que não ligam para o fomento à cultura, o sucateamento dos aparelhos de cultura do Estado, o medo de andar pelas ruas causado pela violência crescente, a crise estrutural do país e, em especial da cidade do Rio de Janeiro que sofre, há mais de 450 anos com desvios e deturpações de sua terra, seus recursos naturais e de sua produção econômica.

Essa realidade, escancarada pela mídia corporativa, contribui para a perda da confiança e, mais que isso, pelo crescente desinteresse pela política e descrença de maneira geral.

A economia do mundo, hoje, é linear e baseada no modelo extrair-fazer-descartar, limitando muito os usos da maioria das coisas que são produzidas, por vezes, limitadas a um só ciclo e consideradas lixo. Ora, a economia circular vem justamente propor a ampliação dos círculos de valor, estendendo e ressignificando os usos dos produtos. Se eles foram pensados e desenhados já com essa mentalidade, muito trabalho será poupado e muito menos resíduos serão gerados. Enquanto isso não acontece, os vendedores do Shopping Chão são forte auxílio na redução do lixo em aterros sanitários e invadindo nossas águas já tão poluídas.

O momento de ruptura, portanto,  apresenta forte oportunidade de reinvenção, demonstrando a força de transformação que pequenas movimentações podem gerar. O eco parece se ampliar a cada novo encontro, com as pessoas participantes do curso, com as pessoas passantes, com as pessoas vendedoras do shopping chão e habitantes da área em torno da Casa de Estudos Urbanos.

Importante destacar que o espaço, em si, transparece o caráter transitório que é usualmente atribuído ao bairro da Glória. Repleto de músicos, com ensaios na Praça Paris durante todo o dia, essa pequena  e histórica área que se encontra entre a tumultuada Lapa e a correria do Catete, a Glória se mostra cada vez mais como um respiro, um espaço de inspiração que remonta ao Rio Antigo trazendo a inovação do trabalho colaborativo e voluntário na hora de ocupar a rua.

Nossas ações no universo digital também têm ganhado grande importância e repercussão, usamos as ferramentas e os canais como facebook, instagram e afins para acessibilizar conteúdo relevante, em especial nossas ações de Dia de Glória. Além disso, criamos o descubra.art, calendário colaborativo digital que se pretende plataforma para unir produtoras, criadoras, fazedoras, interessadas e demais pessoas e empresas que queiram contribuir para um cenário cultural mais rico, plural e interessante na cidade.

Entendemos, portanto, que devemos esperar menos do Estado (que nos adormece com sua gestão paternalista) e agir mais. Mais que nunca, nos colocamos como agentes, insurgentes no espaço, ocupantes, propositores, questionando, gerando dúvidas e incentivando o papel ativo das pessoas na cidade em que habitam e dos processos que participam cotidianamente.

É necessário [re]Agir!

Para ler a primeira parte do texto, clique AQUI.

Se quiser saber mais sobre os Dias de Glória, só clicar.

BIBLIOGRAFIA

Fenótipo - 27.08 (10)

CORTELLA, Mario Sergio & DIMENSTEIN, Gilberto. A Era da Curadoria. São Paulo: Papirus, 2015.

ELLEN MACARTHUR FOUNDATION. Cities in the Circular Economy: An Initial Exploration. Disponível em <https://www.ellenmacarthurfoundation.org/assets/downloads/publications/Cities-in-the-CE_An-Initial-Exploration.pdf>  Acesso em 10 de outubro de 2017.

ELLEN MACARTHUR FOUNDATION. A Circular Economy in Brazil: An Initial Exploration. Disponível em <https://www.ellenmacarthurfoundation.org/assets/downloads/A-Circular-Economy-in-Brazil-An-initial-exploration.pdf&gt;  Acesso em 20 de novembro de 2017.

EVANGELISTA, Douglas de Souza. Shopping-chão: identidade e circulação de pessoas e objetos em uma feira de “antiguidades” e “usados” no Centro do Rio de Janeiro. Disponível em: <https://pontourbe.revues.org/2036>

KIFFER, Ana. fulminato [8]. Disponível em: <https://anakiffer.blogspot.com.br/2017/10/fulminato-8.html?m=1> Acesso em 20 de novembro de 2017.

NASCIMENTO, Tiago. Shopping chão: Os garimpeiros da selva de pedra. Disponível em: <http://www.anf.org.br/shopping-chao-os-garimpeiros-da-selva-de-pedra/>

RODRIGUES, Antonio Edmilson Martins. A Costura da Cidade: A Construção da Mobilidade Carioca. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2016.

SANTOS, Milton. O Espaço Dividido: Os Dois Circuitos da Economia Urbana dos Países Subdesenvolvidos. São Paulo: Editora da USP, 2008.

SITe. O flâneur segundo Baudelaire. Disponível em <https://sociedadedeinformacaoetecnologias.blogspot.com.br/2011/08/o-flaneur-segundo-baudelaire.html>