Eita, tema denso pra hoje, ein?

Em 2017, a gente fez fez fez, produziu festas, encontros, acontecimentos, construiu parcerias, fez projeção em prédio, meteu a cara, co-criou sem dinheiro, colocou arte na rua, incentivou pequenas empreendedoras, promoveu encontros épicos, contou histórias a descentralizou lugares de fala em lugares  privilegiados, como a Somos Goma, a Casa França-Brasil, o Paço Imperial e a Casa de Estudos Urbanos, por exemplo.

Em 2018, estamos construindo a derrubada do patriarcado com mais planejamento e calma. Lembrando que o patriarcado é o sistema dogmático que desvaloriza a presença das mulheres e cria verdades absolutas (daí o dogmatismo) de que as mulheres são mais frágeis ou têm predisposições genéticas e corporais pra doçura e submissão.

A cada dia que passa, a cada violência que sofremos, escancarada ao mundo e a nós mesmas , ultimamente, pela covarde execução de Marielle Franco, mulher negra, ativista, eleita 5ª vereadora mais votada do Rio, cria da favela, bissexual, mãe, irmã de luta e símbolo de mudança, que havia acabado de se tornar relatora da comissão para apurar a conduta da intervenção militar no Rio, abaladora de estruturas, ela falou e defendeu profundamente a população negra das favelas cotidianamente reprimida, violentada e, muitas vezes, assassinada pelo poder coercitivo da polícia militar do Rio de Janeiro, em especial, a situação em Acari. A noção de impunidade da pessoa mandante desse extermínio nos choca, perturba e fortalece para seguirmos em luta. Marielle, presente! Anderson, presente! Agora e sempre!

Sabemos, hoje, que o sistema vigente em si é podre, vil, machista e cruel com quem não goza do privilégio branco, cis, heteronormativo e enquadrado. Mas o que, talvez, eles não tenham contado é que a onda da liberdade, da crítica, da percepção dos preconceitos de gênero, orientação sexual, raça e afins está cada vez mais volumosa e que tudo que fizeram para nos dividir e conquistar está caindo por terra. Estamos nos informando, nos unindo e mantendo a luta viva, constante, cotidiana.

Aprendemos, portanto, de todas essas ativações que fizemos na rua e nesses espaços de privilégio, que o nosso objetivo está justamente nessa intersecção, que a melhor maneira de questionar os muitos donos (infelizmente no masculino, sim) desses espaços abertos e fechados é ocupando, criando, ativando e ressignificando o nosso olhar sobre usos não-usos e reusos desses lugares.

Percebemos o quanto criar sítios simbólicos de pertencimento ¹ é indispensável a esse novo modelo fluxonômico, colaborativo, menos hierárquico e multi. Ou seja, notamos o grande potencial que temos como realizadoras, empoderando a nós mesmas e a outras iniciativas de pequeno porte que buscam trabalhar de forma mais leve, fluida e horizontal. Mais ainda, convidando o público à participação, à criação, à reação e ao questionamento. Afinal, a rua é de quem? Quem decide? Quem age? Quem reage? Quem é beneficiade com isso? Esse terrível acontecimento, a execução de Marielle Franco, serviu como um estopim, o BASTA, não aguentamos mais.

Os partidos não nos representam, os eleitos não nos representam, a polícia não nos representa, o estado não nos representa, a prefeitura não nos representa. NÓS NOS REPRESENTAMOS e apresentamos. E com tantas ferramentas em mãos, como aplicativos de gestão colaborativa, financiamento coletivo, trocas e resolução de conflitos, a tendência é sermos, cada vez mais, autônomos e proponentes. A rua é nossa. De todas nós. Vamos fazer valer nossa força de pensamento e trabalho e gerir o mundo em que queremos viver. As forças opostas são muitas, mas, juntas (as mulheres em especial, mas falo aqui de todas nós, pessoas) somos muito mais fortes.

Vem pra luta!

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¹ ZAOUAL, Hassan. Nova Economia das Iniciativas Locais: uma introdução ao pensamento pós-global. Rio de Janeiro: DP&A; COPPE/UFRJ, 2006.

Fora Temer, Fora Crivella, Fora Pezão. Fora todes vocês!