ventura

significado subst. fem destino (bom ou ruim); sorte. circunstância e acontecimento favoráveis, mas que não dependem dos desejos da pessoa que deles se beneficia. contentamento . felicidade. em que há ou pode haver perigo ou risco; ameaça.

sinônimo de: boa sorte, perigo, ameaça, risco, felicidade, fortuna, acaso.

Com esse sentimento de percurso e acaso, de possibilidade e prospecção, de criação e processo surge a VENTURA. Num mundo de correrias e sequências, em que passamos pelas experiências, muitas vezes, sem ser afetadas, seguindo a rotina e a expectativa sem pensar na potência e na vontade.

[ Cuidado, Espelho! ] é um chamado para acordar, para a afetação, para olhar para si, para refletir-se no outro e perceber o self a partir da outra, do óbvio, do transitório.

O que te toca? O que te move? O que te impede? Foram algumas das provocações que o projeto nos trouxe.
Transformamos, assim, o processo de pesquisa na instalação sensorial para a performance expositiva que transforma personagens em obras, teatro em galeria de arte, colocando o público em cena e a cena em público. É preciso olhar para si. Dar luz às sombras, às deformações, conforme coloca Antonin Artaud na Declaração Surrealista de 1925;

“Nós não pretendemos mudar nada dos costumes dos homens, mas pensamos realmente demonstrar-lhes a fragilidade de seus pensamentos, e sobre quais alicerces movediços, sobre quais porões, eles fixaram suas casas estremecentes.

Nós somos especialistas da Revolta.”

Usando elementos do cotidiano de formas não convencionais, buscamos ressignificar o olhar das pessoas em relação a usos e não usos, deslocando a percepção do usual e gerando afeto, percepção e autoconhecimento.

Intervenções urbanas, curadoria artística dentro de espaços expositivos e ativação de diversos sentidos corporais e perceptivos, propomos um espaço híbrido, reverberando ativações individuais a partir da memória afetiva e do encontro.

Em tempos críticos, convidamos para reconectarmos a nós mesmas, reagindo e refletindo, curando e cicatrizando, desconstruindo e possibilitando. à ventura.

2017.
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HISTÓRIA

A convite da diretora Mari Mugnaini, transformamos nosso processo de pesquisa num corredor sensorial que abre a performance expositiva que faz de personagens obras, do teatro galeria de arte, colocando o público em cena e a cena em público. É preciso olhar para si, dar luz às sombras, às deformações.

Foram três dias de performance com montagem e desmontagem completas da cenografia. Uma correria e um aprendizado únicos, num processo sinestésico que trouxe os aromas do cravo e do maracujá, limpando os miasmas do passado, acalmando e abrindo os corações à experiência, tornando a faixa de afastamento policial em móbile que pendia do teto, criando uma estrutura imersiva, olfativa e esteticamente convidativa à participação.

Após um caminho de aroma, luz e frases, biscoitos da sorte eram oferecidos de dentro de uma maleta antiga enquanto a DJ construía o som na hora, coquetéis de vernissage eram distribuídos e as personagens propunham lugares de fala em meio às andanças do público, alternando entre obra e personagem, criador e criatura, ator e público. Não havia cadeiras, havia espaços, lugares, obras pertencimento e vivências.

Quem atua? Quem reage? Quem afeta e quem é afetada nesse processo de [re]ver?

à deriva. à ventura.

DA FELICIDADE

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,

Procede tal e qual o avozinho infeliz:

Em vão, por toda parte, os óculos procura

Tendo-os na ponta do nariz!

– Mário Quintana

***

Sobre o aroma que usamos no Ventura pensado para [Cuidado, Espelho] na icônica sala Vianninha da ECO da Universidade Federal do Rio de Janeiro, feito a partir do óleo essencial de cravo:

Cravo é o óleo do movimento: fazer as coisas acontecerem. A sua vibração é da persistência, desapego e revitalizante.
Ajuda nos momentos de vida, onde se passa por mudanças, finalizações de tarefas e precisa-se dar continuidade em projetos, auxiliando no rompimento da barreira do desânimo e cansaço.
Faz a assepsia energética, limpando o ambiente de miasmas¹, libera a energia psíquica antiga impregnada em objetos, roupas, ambientes, incentivando o desapego.
¹ emanação de energia negativa, a sujidade do mundano.
baixa o poema do óleo, baixa_ óleo essencial de Cravo