Agora vem o blablablá.

Pra quem quiser saber como o Sinestesia Mutante começou.

Claro que uma infinidade de referências nos trouxeram até aqui, mas, destacamos o livro razões da crítica de Luiz Camillo Osório. Nesse curto, porém bem fundamentado texto,  o autor conclama à crítica “que se reinvente como um canal de disseminação pública de arte e de suas questões mais urgentes. [Pois] mudando as formas de arte, transformam-se também seus modos de exposição”. Ele pede, portanto, uma redefinição do papel do crítico e sua aproximação maior com o público e com a realidade que cerca a obra, deixando de lado seu caráter obscuro, pedante e passando de juiz a testemunha, fomentando a abertura de novos sentidos e percepções para a arte contemporânea, que é tão plural e cheia de significados e, cada vez mais, demanda a imaginação de seu espectador.

Dessa forma, o papel do crítico passa a ser de facilitador e chamariz do público para a arte, não meramente para atestar sua qualidade, mas, para pavimentar o caminho de descobertas que ela intenta. A arte contemporânea, em especial, não é única ou simplista, é pessoal, inquisidora, crítica em si mesma, e serve para abrir os olhos e nos fazer questionar o que se faz vigente. Nesse ponto, é importante separar a vontade do artista da vontade da obra, que caminham unidos, porém, variantes, “entre o ser arte e parecer natureza, (…) uma intencionalidade sem intenção, que permita ao espectador julgá-la com o mesmo despojamento do fenômeno natural.” E completa com a afirmação de Schlegel, “o que faz da arte um enigma é o fato de que, apesar de ser uma atividade intencional, ela o é de forma a que nenhuma descrição das intenções do seu vir-a-ser possa esgotá-la.”

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Osório aborda, em seguida, a questão do gosto, que sempre tratamos como indiscutível. Ele – como nós – não acredita nessa afirmação, ao dizer que o gosto procura o consenso, mas existe no dissenso, ou seja, nossa verdadeira natureza é, de fato, exposta na discussão, ao colocar em palavras o que achamos e sentimos. E essa é justamente a proposta do Sinestesia, que pretende ser uma plataforma de discursos, em que nossas opiniões, gostos, interesses e críticas são colocadas à espera do confronto com você, leitor, evitando a agressão e clamando pela discussão.

Por fim, Luiz Camillo cita justamente o grande escritor que nos levou a criar o Sinestesia, Charles Baudelaire, ao dizer sobre a Exposição Universal de 1855, que caracterizava fortemente a pluralidade hoje tão inclassificável na arte,

“Contentei-me com o sentir, voltei a buscar um refúgio na impecável ingenuidade.”

Baudelaire, narra o autor, buscava “conjugar a ingenuidade do mero sentir à reflexividade do puro pensar”,  o que, sem demais pretensões, nossa página quer expor em forma de imagem e palavra especialmente para você.

Vamos?

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Fonte:

  • OSORIO, Luiz Camillo. razões da crítica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.